Tempus Fugit

  • O Estranho Caso de Benjamin Button
  • De: David Fincher
  • Com: Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton
  • Género: Drama, Romance
  • Classificacao: M/12

Crítica Ípsilon por:

Luís Miguel Oliveira

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14 de 62 pessoas acharam útil a crítica que se segue.
O tempo voa, mas o filme não chega a efectuar o "take off", diz Luís Miguel Oliveira sobre o título mais nomeado aos Óscares. Qual é a sua opinião?

Sendo David Fincher um cineasta frio e cerebral, "desumano" (ou "desumanista", passe a expressão), era com curiosidade e alguma expectativa que aguardávamos esta sua incursão no "melodrama de vida", coisa a priori tão distante de tudo o que o autor de "Fight Club" e "Zodiac" (que por alguma razão hoje nos parecem melhores, mais escorregadios, do que "Seven") tinha feito até agora. Se a expectativa sai furada, isso tem de facto alguma coisa a ver com as temperaturas - os trópicos não são definitivamente o habitat de um cineasta polar como Fincher, e é tudo o que devia ser "quente", e bem se esforça para o ser, que mais insatisfatório é no "Estranho Caso de Benjamin Button" (a história de Scott Fitzgerald em que se baseia fica lá muito para trás, mera "inspiração"). Resumindo o que toda a gente já sabe, "O Estranho Caso de Benjamin Button" é a história de um homem (Brad Pitt) que nasce velho e morre novo. Um recém-nascido engelhado e artrítico, um ancião com corpo e pele de bebé - e entre as duas coisas uma vida que se vê a andar para trás.

Antes de se revelar um estratagema inútil e quase metafórico (a segunda parte, a história de amor com Cate Blanchett no curto momento em que as idades batem certo com os corpos que têm) começa por ser uma alavanca para o absurdo figurativo, quase surrealista: há uma estranheza invulgar nas cenas com Pitt transformado em criança velha, tornadas perfeitamente convincentes pela boa saúde de gozam na Hollywood actual as artes da maquilhagem e dos efeitos especiais (até nos surpreende como é fácil acreditar no Pitt velho e não fazer mais perguntas).

Mas ainda antes de ser qualquer uma destas duas coisas era, sinalizada pela história do relógio cujos ponteiros andam ao contrário, a gota de "prédeterminação", o toque "desumano", mesmo maquinal, que podemos considerar como o pormenor mais "fincheriano": Benjamin Button tem o tempo "fechado", o tempo contado, sem a indefinição do tempo do homem comum (porque, por assim dizer, não há um limite para o avanço temporal mas há um limite preciso para o recuo temporal). Não deixamos de pensar que há aqui uma relação qualquer com "Zodiac", filme onde o tempo (embora correndo na direcção "normal") surgia constantemente marcado, e onde as personagens se perdiam de uma maneira que é impossível à personagem de Pitt.

Qual é exactamente essa relação é difícil de dizer. O filme parece perder determinação, razão de ser, ao longo do seu curso. Transforma-se numa história de testemunho do século XX americano (Button nasceu no dia do armistício da I Guerra), cujos sinais vão aparecendo fugazmente, como pedaços de uma paisagem entrevista pelas janelas de um comboio que não pára (ideia subtil, mas demasiado "turística" para se tornar relevante). No papel, o esquema do filme e do relato da vida de Button como testemunha do seu tempo (percebem-se as lembranças de "Forrest Gump", se se excluir o elogio da candura) seria representado por um longa linha vertical cruzada por vários pequenos traços horizontais.

É nesses pequenos traços (os barcos na II Guerra, a história com Tilda Swinton em Murmansk) que se encontram os momentos mais luminosos de "Benjamin Button". A linha vertical, por seu turno, cedo se conforma em ser o "truque" que sustenta (muito pouco convincentemente) um melodrama banalíssimo. O tempo voa, com certeza; mas é duvidoso que "O Estranho Caso de Benjamin Button", mesmo ao cabo de duas horas e meia às voltas na pista, chegue a efectuar o "take off".


Crítica Ípsilon por:

Jorge Mourinha

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2 de 12 pessoas acharam útil a crítica que se segue.


Não é um filme, são três cruzados que não têm nada a ver um com o outro: a partir do conto de Fitzgerald sobre um homem que nasce velho e em vez de envelhecer rejuvenesce ao longo dos anos, o argumentista Eric Roth quer fazer uma sonsice pseudohistórica à "Forrest Gump", Brad Pitt e Cate Blanchett (ambos espantosamente "miscast") parecem estar num melodrama romântico à moda antiga, e o realizador David Fincher quer fazer uma fábula romanesca. No papel, é a receita para o desastre; no écrã, Fincher não só ganha aos pontos, jogando de modo magistral com o espaço e o tempo para contar a sua fábula, confirmando a sua vocação de criador de ambientes e trabalhando a montagem com argúcia, como consegue fazer esquecer que o filme dura três horas, que o argumento é vergonhosamente manipulador, que Pitt e Blanchett são os actores errados para esta fita. Depois do sublime "Austrália", "O Estranho Caso..." é a segunda prova em como é possível reinventar o romanesco para os nossos dias.

Não devia resultar, mas resulta - apostamos que nem Fincher sabe como.


Crítica Ípsilon por:

Mário Jorge Torres

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Se é verdade que David Fincher nunca mais atingiu, depois de "Se7en", semelhantes profundidades, "O Estranho Caso de Benjamin Button" consegue articular uma complexa estrutura em mosaico com a tradição do grande "romance", tanto no sentido melodramático, como no da criação de atmosferas que fogem ao romanesco tradicional.

Como sempre, o realizador domina os processos de montagem como poucos e analisa, por dentro da trama, os próprios mecanismos de construção: manipula e quer manipular, na medida em que o espectador serve de cobaia para a sua autoreflexão sobre as hipóteses de o cinema moderno virar do avesso Scott Fitzgerald, o "filme de mulheres", a desvergonha sentimental hollywoodiana. Tudo sem grande risco, mas com a perfeita noção de que a reinvenção distanciada é possível (e desejável).
Pena insistir numa extensão desmedida: o filme só teria a ganhar (ainda mais) com maior síntese e economia narrativa.


Crítica Ípsilon por:

Vasco Câmara

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0 de 5 pessoas acharam útil a crítica que se segue.


Não conseguimos perceber porque é que a Academia de Hollywood nomeou Brad Pitt para os Óscares; não conseguimos ver o que eles viram, e como conseguiram ver, para lá dos efeitos, das "próteses", das alterações de voz... Onde está a interpretação? A nomeação, na verdade, não é importante. Não vale a pena esgrimir argumentos (vamos, afinal: Sean Penn, em "Milk", e Mickey Rourke, em "The Wrestler", é que são as grandes interpretações do ano). Mas os efeitos são importantes, e Brad Pitt tem a cara como uma máscara de velho em toda a primeira parte e, à medida que fica mais novo, são os outros actores, porque as suas personagens ficam mais velhas, que têm de usar a sua - máscara. O resultado é um (involuntário) carnaval. Isto aniquila o fôlego romanesco. "O Estranho Caso de Benjamin Button" é um filme emocionalmente agrilhoado pela sua construção, filtros e acumulação de efeitos - não há outra razão para colocar a novela de Fitzgerald numa Nova Orleães à beira do Katrina (é o ponto de onde se parte para o "flashback") a não ser carregar a narrativa ainda com mais... "sentidos".

"O Estranho Caso de Benjamin Button" não tem tempo para mais nada porque está escravo da sua bulimia.


Crítica Comunidade:

Crítica por: Caroline Barisao de Belém/Pa

Não sou tão crítica quanto cinema...Mas penso sem titubear que benjamin é um tempo para abstração fora de críticas tão serveras e simplistas...O caso do Sr Button deveria ser concebido com tamanha expiência em todos os nivéis de imaginação...Como você fosse criança e estivesse aprendendo a mistura de cores...Filme absolutamente bom...

Crítica por: Sérgio Santos de lisboa

Não concordo com a critica, apreciei muito ver o filme.

Crítica por: Carlos de Porto

pela primeira frase fica a ideia que o filme já tinha sido julgado bem antes de poder mostrar o que vale. acho lastimavel

Crítica por: Catarina de lisboa

e reitero praticamente tudo o que aqui foi escrito por Luís M. Oliveira

Crítica por: Pedro de Cascais

O filme tem vários problemas: muito, demasiado longo, 166 minutos é a duração quando poderia ter 100 mminutos; lamechas, a relação entre a personagem de Pitt e Blanchet não covence; o realizador, Fincher torna uma história que poderia ser original...banal e com poucos efeitos dramáticos! Apesar de gostar de todos os filmes de David Fincher (até do Alien3!)e de discordar muitas vezes com os críticos nacionais, concordo com a crítica do Luís M. Sintra.

Crítica por: Carlos Gomes de Lisboa

É Curioso ver que um filme que recolhe críticas positivas do WSJ ou do NYT não serve a um crítico do Público. Ás vezes confunde-se saber de cinema com saber apreciar um bom filme, uma história bem contada. Os críticos do Público parecem quase sempre não sabe apreciar um bom filme. O melhor é ler as estrelas ao contrário.

Crítica por: Pedro de Cascais

Vi o filme. História bonita, excelente a ligação com o presente e o passado, Pitt vai muito bem (qb). Acho que a mensagem é muito mais do que a história de uma pessoa que nasce velha e morre criança, é a história das nossas vidas, dos nossos encontros e desencontros, dos momentos, das pessoas que nos marcaram, não importa se é de trás para a frente ou de frente para trás, é para isso que cá andamos para viver essses momentos com essas pessoas.Não é para isso que serve o cinema, sonhar!!

Crítica por: Silvares de C. Piedade

O "take off" depende mais da capacidade do piloto do que da qualidade do avião. Há muito boa gente que nem num Boeing é capaz de voar. Há quem lamente de imediato não ser pássaro e, se chegar a sê-lo, já queria ser antes um mastodonte, etc, etc,etc.

Crítica por: Sérgio de LX

ha uns tempos dei por mim a pensar o previlégio que será a profissão de critico de cinema, após meses a tentar que estas criticas me guiassem ,é com muita pena que tenho de discordar maioritáriamente com estes"especialistas", que para eles não existe um conceito de cinema generalista e por sua vez é logo á partida avaliado em desvantagem...se o actor princ não fosse o BP e a realização do fincher, certamente esta critica teria á partida outra direcção...é pena tb gostei do filme, vi-o depois de ler a critica e jamais uma estrela.esta sequencia de ideias leva-me a pensar como um critico de cinema viverá quando o cinema deixar de ser generalista...esperemos que se consigam alimentar do filme do amigo.

Crítica por: Caroline Barisao de Belém/Pa

Não sou tão crítica quanto cinema...Mas penso sem titubear que benjamin é um tempo para abstração fora de críticas tão serveras e simplistas...O caso do Sr Button deveria ser concebido com tamanha expiência em todos os nivéis de imaginação...Como você fosse criança e estivesse aprendendo a mistura de cores...Filme absolutamente bom...