Director do festival falou a propósito da estreia do filme de João Pedro Rodrigues
Nuno Ferreira Santos

Director artístico do Festival de Locarno elogia produção e realizadores portugueses

07.08.2012 - Lusa, PÚBLICO
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O director artístico do Festival de Cinema de Locarno (Suíça), Olivier Père, elogiou na segunda-feira o cinema português, em particular o de “uma vanguarda jovem e incrivelmente talentosa”, encabeçada por João Pedro Rodrigues.

O elogio foi feito a propósito da estreia mundial, na segunda-feira, do filme “A última vez que vi Macau”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, no âmbito da competição internacional do festival de Locarno.

Num blogue onde relata o que se passa em Locarno, até sábado, o director artístico do festival traçou um perfil de João Pedro Rodrigues, descrevendo-o como um dos “franco-atiradores” de uma geração do cinema português que inclui também, por exemplo, Miguel Gomes e João Nicolau.

“Portugal é um país que produz cinema, mas um cinema feito exclusivamente por artistas. Tem grandes mestres, os seus ‘poetas malditos’, mas também uma vanguarda jovem e incrivelmente talentosa”, começou por escrever Olivier Père.

Apesar de João Rui Guerra da Mata estar em Locarno com dois filmes em competição - “A última vez que vi Macau” e “O que arde cura” -, Olivier Père foca-se sobretudo em João Pedro Rodrigues, que divide a realização com aquele realizador numa das produções.

O director artístico passa em revista a obra de João Pedro Rodrigues, como “Fantasma” e “Morrer como um homem”, e afirma que o realizador criou “um universo homo-erótico muito pessoal”, um cinema transgénero, “no plano sexual e cinematográfico”, que tem sido “a arte da metamorfose”.

Sobre “A última vez que vi Macau”, Père considera-o “o mais barroco dos filmes, que nunca pára de se transformar diante dos nossos olhos, passando, dentro do mesmo plano, de um diário íntimo à mais delirante das ficções policiais”.

“A última vez que vi Macau” assinala a terceira co-realização entre João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata (depois de "China China" e de "Alvorada Vermelha"), embora ambos trabalhem juntos desde "Parabéns", de 1997, o segundo como director de arte dos filmes do primeiro. João Rui compete ainda em Locarno com “O que arde cura”, “uma curta-metragem maravilhosa de 27 minutos inspirada em ‘A voz humana’, de Jean Cocteau”, elogiou Olivier Père.

O Festival de Cinema de Locarno começou no dia 1 e termina no sábado.

Foram também seleccionados “Zwazo”, de Gabriel Abrantes, e “O dom das lágrimas”, filme de João Nicolau que tinha sido encomendado por Guimarães, Capital Europeia da Cultura.

Locarno decidiu ainda prestar homenagem aos 20 anos do Festival Curtas de Vila do Conde, exibindo quatro filmes.

Nos júris também há um nome português: a actriz Ana Moreira foi convidada para integrar o júri da competição “Realizadores do Presente”.