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Não há pistolas, mas há espadas, e o sangue continua a fluir em câmara lenta de modo quase balético; não faltam as pombas, a amizade viril, o duelo final entre os inimigos que se apontam um ao outro os gumes das espadas como em tempos as pistolas. O que diferencia o triunfal "regresso a casa" de John Woo, figura-chave do novo cinema de acção oriental nas décadas de 1980 entretanto seduzido por Hollywood, é que "A Batalha de Red Cliff" é um fresco de guerra histórico sobre uma batalha central na resistência à tirania, onde dois senhores da guerra do Sul da China combatem um general com sede de poder que manipula o imperador.
Pretexto para uma demonstração de virtuosismo cinético, um grandioso exercício de estilo, gloriosamente "à moda antiga", com algo de grande cinema popular clássico, mas que parece a um espectador ocidental uma sucessão algo cansativa de estratégias guerreiras e cenas de batalha extraordinariamente filmadas - porque, na realidade, não estamos a ver o mesmo filme que Woo fez originalmente. "A Batalha de Red Cliff" é um monstro de quase cinco horas que estreou na Ásia dividido em duas partes, mas para a distribuição ocidental o realizador supervisionou um "compacto" de 150 minutos que é a versão que agora estreia entre nós. E, se por um lado, é extraordinário que este "digest" funcione sem problemas de maior enquanto filme autónomo, a sensação de que há aqui demasiado que nos "passa ao lado" ou que fica por explicar é inescapável. Seja como for, é um reencontro a saudar com um cineasta que não perdeu nenhuma das suas capacidades.
Trailer
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Depois do seu sucesso em
Hollywood, John Woo regressa à Ásia
com uma longuíssima saga oriental,
repleta de efeitos e com todos os
matadores que fizeram a glória do
seu estilo: elaboradas coreografias
de violência indiscriminada, sangue
a jorrar "au ralenti",
superabundância de figurantes,
duelos, ambíguas conivências entre
homens. No entanto, esta dimensão
de "blockbuster" perde-se em
excessivos pormenores, em
infindáveis episódios destinados a
adaptar um clássico do século XIV,
sobre factos semi-históricos, semilendários,
passados muito antes,
com uma noção de tempo
cinematográfico que se arrasta sem
medida, numa desmesura que cansa
o espectador ocidental - até porque
nos faltam dados factuais. Tudo
considerado, fica um sentido inato
do espectáculo e o virtuosismo de
uma câmara irrequieta, mas
também alguma desilusão, depois
de obras-primas de
contenção, como "Face-
Off".
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