Mohsen Makhmalbaf e Marjane Satrapi em Paris
REUTERS/Thierry Roge
Paris

Cineastas iranianos pedem apoio do Ocidente

22.06.2009
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Os realizadores Mohsen e Samira Makhmalbaf, pai e filha, e Marjane Satrapi desdobram-se em declarações em França pedindo ao Ocidente que não deixe de denunciar o golpe de estado no Irão.

Enquanto as manifestações e a contestação ao regime do "ayatollah" Khamenei e do presidente Ahmadinejad continuavam nas ruas de Teerão, na semana passada os realizadores Mohsen e Samira Makhmalbaf, pai e filha, e Marjane Satrapi desdobravam-se em declarações públicas em França pedindo ao Ocidente que não abandonasse a vigilância e que não deixasse de denunciar o golpe de estado no seu país natal.

Na sexta-feira, em Paris, Mohsen (n. 1957) e Samira (n. 1977) assumiram-se como embaixadores da causa do povo iraniano e exortaram os países ocidentais a "denunciar" o regime Khamenei-Ahmadinejad. "É preciso ouvir a voz e os gritos da rua e não reconhecer a eleição de Mahmoud Ahmadinejad. A presença das pessoas na rua é mais do que uma manifestação, é um referendo", reclamava o realizador de "Gabbeh" (1996) e "Kandahar" (2001), que actualmente vive em Kabul com a sua família, depois de, em 2004, ter abandonado Teerão em protesto contra a censura a que a sua obra estava a ser sujeita.

Três dias antes, Mohsen Makhmalbaf e a sua colega realizadora Marjane Satrapi (n. 1969, autora do filme de animação , "Persepolis" de 2007) tinham feito declarações no mesmo sentido em Estrasburgo, onde se deslocaram a convite do deputado e líder "Verde" Daniel Cohn-Bendit. "Reconhecer a legitimidade de Ahmadinejad é desvalorizar a legitimidade do povo iraniano. Precisamos que o Ocidente apoie o movimento democrático do povo iraniano que quer viver em paz, quer poder sonhar e encontrar o seu lugar como uma grande nação no seio da comunidade internacional", disse Satrapi.

Na sede do Parlamento Europeu, Mohsen Makhmalbaf considerou que o seu país virara uma página na sua História. "Nos últimos 30 anos, o nosso país oscilava entre 20 por cento de democracia e 80 por cento de ditadura. Agora caímos na ditadura a 100 por cento".

O realizador de "Kandahar" já conheceu a prisão no seu país, tanto no tempo do xá Reza Pahlevi, como depois da revolução do "ayattolah" Komeini, em 1979. A seguir, em paralelo com uma carreira cinematográfica com que se afirmou como a Nova Vaga do cinema iraniano, e que rendeu já deu mais de vinte filmes, Mohsen manteve a sua acção cívica, tendo fundado uma organização não-governamental para levar as crianças à escola.

A sua filha Samira fez-se notar em 1998, no Festival de Cannes, quando com a sua primeira obra "A Maçã" se tornou na mais jovem realizadora internacional a competir no festival. Dois anos depois, receberia o Prémio do Júri pelo filme "O Quadro Negro". O seu trabalho mais recente, "A Criança Cavalo" - diz o sítio lesinrocks.com -, saiu nos ecrãs franceses no passado mês de Maio. "Alguns pensam que não há diferença entre Ahmadinejad e Moussavi [o candidato supostamente derrotado nas últimas presidenciais, e que tem liderado a contestação dos resultados das eleições]. É como comparar a forma de pensar e de governar de Hitler com a de Gandhi", disse Samira em Paris.


Comentários
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comentario23.06.2009 - 11:00 - Nuno Castelo-Branco, lisboa
Já andam a posicionar-se para o "próximo regime" e assim, recorre-se a qualquer retórica de cordel. Como se Moussavi, um criminoso da pior espécie, responsável por tiodo o tipo de atentados aos direitos das gentes, pudesse ser comparado a Ghandi!? Se Ahmadinejad é comparado a Hitler, o tal Moussavi bem podia ser comparado a Béria ou a Himmler. No mínimo!
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