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A direcção do DocLisboa
DR/Luís Martins

DocLisboa quer ser “lugar de reflexão” sobre o papel do documentário

03.07.2012 - Lusa
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A próxima edição do festival DocLisboa, em Outubro, pretende ser “um momento de celebração de cinema”, mas também um “lugar de reflexão” sobre o papel do documentário numa época de transformações sociais, defendeu esta terça-feira a nova direcção.

A décima edição do festival, que foi esta terça-feira apresentada, terá duas novas secções, sendo uma delas - “Cinema de Urgência” - focada no documentário que “vai testemunhar os acontecimentos de forma muito directa e implicada”, explicou Susana de Sousa Dias.

É uma secção não competitiva que mostrará o cinema como “ato de cidadania”, quando as pessoas pegam numa câmara e filmam o que se passa à sua volta, referiu a realizadora que integra a nova direcção, dando como exemplo os filmes que foram feitos na “primavera árabe”, na Grécia ou - num registo mais próximo - na ocupação da escola da Fontinha, no Porto.

A outra secção nova do DocLisboa, intitulada “Verdes Anos”, será dedicada à produção de cinema documental nas escolas, “dando voz e visibilidade aos cineastas ainda em formação”, referiu Cinta Pelejà, outra das directoras do festival.

A próxima edição do festival terá uma direcção partilhada entre quatro pessoas: Susana de Sousa Dias, Ana Jordão, Cinta Pelejà e Cíntia Gil.

“Assumimos como um colectivo de trabalho com uma determinada forma de pensar, de operar, assumindo que esta forma colectiva de trabalhar é também uma proposta política”, afirmou Susana de Sousa Dias.

Mantêm-se as competições nacional e internacional de curtas e longas-metragens, as secções “Riscos”, “Investigações” e “Heart Beat”.

Este ano, nas retrospectivas, uma delas será dedicada à realizadora belga Chantal Akerman, que questiona a relação do documentário com outras artes, e outra será focada no cinema colectivo feito a partir das convulsões sociais e políticas de Maio de 1968, comissariada pelo crítico italiano Federico Rossin.

“Estamos muito cientes que o cinema e o documentário devem ser pensados na sua vertente artística, mas também política. Estamos num momento de crise internacional, crise nacional e estamos muito atentas ao lugar do documentário nestes momentos tão particulares”, referiu Susana de Sousa Dias.

A nova direcção referiu que um dos momento particulares é o actual estado do cinema português - quando se aguarda a aprovação de uma nova lei- e que “existe um ataque ideológico” à ideia de que o Estado deve apoiar a cultura, referiu Cíntia Gil.

O DocLisboa decorrerá de 18 a 28 de Outubro e a programação completa será apresentada na íntegra em Setembro.

Este ano o orçamento será 20 por cento mais baixo do que na edição anterior, mas a organização - a cargo da associação Apordoc - procura ainda parceiros.