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Durante a rodagem de Lincoln, Steven Spielberg tratou sempre o seu protagonista, Daniel Day-Lewis, por “sr. Presidente”

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17.08.2012 - Jorge Mourinha
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O actor é o intérprete de Lincoln, o novo filme de Steven Spielberg

Quem não o conhecer que o compre: o leitor estará perdoado se achar que a imagem acima é um quadro a óleo particularmente trabalhado do presidente americano Abraham Lincoln. Na verdade, é uma fotografia contemporânea do actor Daniel Day-Lewis durante as rodagens de Lincoln, o novo filme de Steven Spielberg, sobre os últimos meses do mandato do homem que governou durante a Guerra Civil americana e presidiu à abolição da escravatura. A parecença só é surpreendente para quem não conhecer a reputação de meticulosa preparação de Day-Lewis, que leva aos limites o conceito de method acting: mantém os sotaques que trabalha para cada papel fora do plateau, estuda ao mais ínfimo pormenor as profissões ou o estado psicológico e físico das personagen. Para Gangues de Nova Iorque, foi aprendiz de talhante (e chegou a resistir a ser tratado a uma pneumonia que contraíu porque não havia medicamentos modernos na Nova Iorque do século XIX), para A Idade da Inocência andou dois meses vestido com roupa do século XIX, para O Boxeur treinou boxe com o campeão irlandês Barry McGuigan, para O Último dos Moicanos aprendeu a viver da terra como um caçador, para A Balada de Jack e Rose viveu separado da mulher (Rebecca Miller, realizadora do filme e filha do dramaturgo Arthur Miller).

À revista Entertainment Weekly, Steven Spielberg, que dirige Day-Lewis pela primeira vez, disse que, no caso de Lincoln, o actor "teve sempre consciência do mundo moderno ao seu redor". Mas admite que durante a rodagem se lhe dirigiu sempre como "sr. Presidente" - pela necessidade de manter alguma atmosfera no plateau, mais para ele próprio do que para o elenco, que conta ainda com David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, Sally Field e Tommy Lee Jones. Lincoln adapta o livro da historiadora Doris Kearns Goodwin; o argumento é do dramaturgo Tony Kushner, autor da peça Anjos na América, e que já trabalhou com Spielberg no argumento de Munique.

Seja como for, é em Day-Lewis, actualmente com 55 anos, que os holofotes estão assestados: o actor escolhe a dedo os papéis em que se investe, tendo entrado em apenas cinco filmes desde 1997, e não o vemos no écrã desde Nove, de Rob Marshall (2009). Este, por sua vez, surgiu dois anos depois de Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson (2007), que lhe valeu o segundo Óscar para Melhor Actor (quase 20 anos depois do primeiro por O Meu Pé Esquerdo, de Jim Sheridan, em 1989). E o único projecto para o qual Day-Lewis está confirmado depois de Lincoln será o seu reencontro com Martin Scorsese (que já o dirigiu por duas vezes, em A Idade da Inocência e Gangues de Nova Iorque), para a adaptação do romance Silêncio, de Shusaku Endo. Lincoln estreará nos EUA a 9 de Novembro, não havendo ainda data confirmada para Portugal.


Comentários
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comentario02.12.2012 - 01:13 - Anónimo, Portugal
Maravilhoso actor. Meu pé esquerdo, um dos melhores filmes e interpretações. Poucos actores têm essa destreza de representar pessoas com necessidades especiais, excepto o Dustin Hoffman, como doente autista. Devia de haver mais filmes sobre pessoas com necessidades, seria bom para a sociedade. O Daniel Day Lewis, leva bastante a sério as personagens, que as incorpora muito bem. Espero que tenha várias nomeações para vários prémios, por esta grande interpretação.
comentario10.10.2012 - 15:14 - daniel, portugal
um dos mais brilhantes actores da historia do cinema
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