Polémica

Saramago e a insustentável leveza da ignorância

27.10.2009
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Os comentários de Saramago não são nem chocantes nem novos, defende neste texto o escritorRichard Zimler. São unicamente banalidades superficiais

Quando José Saramago decidiu espevitar o interesse pelo seu último livro afirmando que "a Bíblia é um manual de maus costumes", a minha primeira reacção - como escritor e como alguém de há muito tempo dedicado aos estudos de religião comparada - foi rir-me para comigo e murmurar "e depois?".

São várias e de ordem vária as razões por que desvalorizei os comentários de Saramago. O Antigo Testamento, praticamente na sua totalidade, nunca teve como propósito constituir qualquer coisa de parecido com um manual de boas ou más maneiras. Ao ler a Bíblia, pouco que seja, ninguém pretende encontrar um modelo para o seu comportamento nos actos do Rei David, de Betsabé, de Noé, de Adão, de Eva ou de quaisquer outras pessoas referidas nas histórias bíblicas. Na tradição judaica, tal atitude pura e simplesmente nunca existiu. Nem o mais ortodoxo dos rabinos obedece hoje à maioria das regras de conduta doDeuteronómio, mais que não fosse por estarem de tal modo datadas que seriam irrelevantes para a vida dos nossos dias. Assim como ninguém no mundo judeu modela o seu comportamento pelo de Deus. Fazê-lo seria considerado ingénuo na melhor das hipóteses ou herético na pior. O Antigo Testamento é formado em grande parte por uma compilação de histórias, muito à semelhança de um romance. E o seu tema principal é a difícil e por vezes tumultuosa relação entre Deus e Israel, entre o criador transcendente de um universo e o seu povo escolhido. É uma história de sobrevivência, de como os israelitas usaram de todos os meios à sua disposição - incluindo a guerra - para defender aquilo que consideravam a sua particular aliança com o Senhor. Como qualquer romance ou outra forma de narrativa que intente descrever todos os cambiantes da conduta humana, dela fazem parte tanto a opressão intolerável, os crimes de guerra e os assassinatos, como também o amor, a dedicação e o heroísmo. Trata de seres humanos tal como eles são, e não como eles deveriam ser. Pegar no Antigo Testamento para criticar a brutalidade dos hebreus ou de outros povos da antiguidade é o mesmo que criticar Dostoievsky por escrever sobre um assassinato premeditado emCrime e Castigo ou criticar Anne Frank por descrever como a crueldade nazi afectou a sua família.

Inclinava-me a pensar que qualquer escritor haveria de olhar como vital, tanto para ficcionistas como para ensaístas, a exploração de toda a gama das emoções e acções humanas, mas ao que parece enganava-me, pelo menos no caso particular de Saramago.

Confesso que as palavras de Saramago me deixaram perplexo de um modo muito pessoal ao implicarem que não deveríamos escrever sobre os horrendos crimes cometidos por seres humanos, pois uma boa parte do que faço nos meus romances é explorar as vidas de pessoas cujas vozes têm sido sistematicamente silenciadas por ditadores, generais e inquisidores religiosos. Penso que escrever sobre a repressão violenta e sobre os tratamentos cruéis é essencial, sobretudo quando se busca a criação de um mundo de mais justiça e humanidade. E uma das coisas que mais respeito e valorizo no Antigo Testamento - apesar de não crer num Deus pessoal e de não praticar nenhuma forma de fé, nem sequer a religião dos meus pais, o judaísmo - é o facto de aí nada ser escamoteado ou escondido. Quem quer que deseje conhecer até onde pode chegar a abominação e a crueldade humanas e até que ponto Deus - ou o Destino - pode ser impiedoso bastar-lhe-á abrir o Antigo Testamento. Para quem nunca o fez, sugeriria que lessem o tratamento dado pelo Rei David a Urias, narrado no Segundo Livro de Samuel. Será difícil encontrar descrição mais poderosa da traição e da brutalidade humanas.

Por outro lado, considerei que no fundo não valia a pena dar importância aos comentários de Saramago, pela ingenuidade e infantilidade da interpretação literal que ele (juntamente com os fundamentalistas religiosos) faz das histórias do Antigo Testamento. Uma das mais importantes lições que retirei do estudo da história das religiões e da mitologia é que as narrativas mitológicas são - na sua maior parte - poesia e não prosa. A história de Adão e Eva é poesia. Ou será que haverá alguém que acredite que Eva foi feita de uma costela de Adão? O autor desta narrativa do Antigo Testamento está a recorrer a uma linguagem simbólica - tal como poetas muito posteriores, como Shakespeare ou Camões, recorreram à linguagem simbólica para criarem as suas obras-primas. Ou será que algum leitor de Os Lusíadas pensa que os navegadores portugueses depararam com um temível gigante chamado Adamastor nas suas viagens da época das Descobertas? Ou, quando a narrativa bíblica conta que Moisés separou as águas do Mar Vermelho no Livro do Êxodo para que o seu povo pudesse fugir do Egipto, será que alguém com mais de dez anos acredita que ele possa ter murmurado algum abracadabra hebraico e produzido tal milagre? Espero bem que não. O Antigo Testamento pode ter como referência um acontecimento histórico - a libertação do povo hebraico -, mas a linguagem utilizada é poética e simbólica. Por assim ser, está aberto a diferentes interpretações. Pode acontecer que o que aqui se pretende é falar da viagem espiritual que cada um de nós pode fazer ao longo das nossas vidas, da escravidão para a liberdade. Nesse caso, a história de Moisés será sobre a nossa aspiração - como indivíduos e como povo - à segurança, a uma vida realizada e com sentido.

Tomar à letra estas histórias é simplesmente não entender o Antigo Testamento e ignorar por completo dois mil anos da tradição poética ocidental.

As palavras de Saramago pareceram-me ainda como o "much ado about nothing", o muito barulho para nada, com que soa qualquer coisa que nem remotamente é novidade. Há cerca de dois mil anos que os filósofos judeus vêm debatendo a brutalidade de Deus e da humanidade no Antigo Testamento, em tons bastante mais emocionados do que os usados no debate em causa. Talvez a história mais criticada do Antigo Testamento seja narrada no livro deJob. Depois de um Satanás céptico dizer a Deus que a piedade de Job se deve apenas à prosperidade de que goza, Deus põe à prova a fé e a dedicação de Job arruinando-lhe a vida da forma mais horrível. Podemos encontrar comentários sobre a interpretação a dar a esta história - assim como de qualquer outra história bíblica - em centenas de livros escritos por filósofos judeus - e também alguns cristãos - ao longo dos últimos dois mil anos. Como é possível que alguém que se considera instruído não tenha consciência desta herança cultural?

As primeiras obras escritas analisando a natureza de Deus, tal como é descrita no Antigo Testamento, são o Talmude, um compêndio dos textos rabínicos sobre ética e cultura compilados entre os anos 200 e 500 da era cristã. Mais tarde, na época medieval, o tema da natureza de Deus foi explorado por dezenas de talentosos filósofos medievais, incluindo pensadores magníficos como Maimónides e Moisés de Leão, autor do século XIII, que escreveu o livro mais influente do misticismo judaico, oZohar. Mais recentemente, estudiosos como Walter Benjamin e Martin Buber acrescentaram facetas modernas ao debate. A natureza da relação de Deus com o homem - a Sua crueldade e, em particular, a Sua "surdez" face ao sofrimento humano - tornou-se num dos mais importantes tópicos de discussão no mundo judaico desde o Holocausto, pelo mais óbvio e terrível dos motivos. Simultaneamente, este debate filosófico foi sendo reflectido na literatura judaica desde os meados do século XIX, na obra de muitos escritores, de Sholem Aleichem e Shmuel Yosef Agnon - que recebeu o Prémio Nobel em 1966 - a Philip Roth.

Concluindo, custa-me compreender como é que alguém, ainda que vagamente familiarizado com a filosofia e a literatura ocidentais, pode acreditar que erguer-se em 2009 contra a crueldade contida no Antigo Testamento tem alguma coisa de novo ou de chocante. Ou sequer interessante.

O que é interessante é perguntarmo-nos por que razão exige Deus uma tão absoluta fidelidade aos israelitas e os castiga tão brutalmente por Lhe desobedecerem. Por que são outros povos, como os cananitas, olhados com tanto desprezo. O que diz tudo isto sobre as condições políticas e sociais em Israel em 500 a.C. E o que diz a relação de Deus com Israel sobre a "natureza tribal" das religiões da antiguidade.

Estes, sim, são temas importantes a merecer respostas sérias dos estudiosos.

Mas, naturalmente, nada disto mereceu a atenção de Saramago nem dos que reagiram às suas críticas ao Antigo Testamento. O que me traz ao aspecto mais perturbador e alarmante de toda esta tola controvérsia. Os jornalistas e os responsáveis religiosos portugueses de um modo geral trataram os comentários de Saramago como importantes! Graças a eles, os meios de comunicação deram-lhe mais tempo na televisão e mais espaço nos jornais do que a outras questões muito mais importantes. E alguns representantes da Igreja Católica atacaram-no com uma ferocidade emocional que revela bem que consideram tais opiniões sobre o Antigo Testamento como um obstáculo à fé. Mais uma vez, tal como salientei mais atrás, os comentários de Saramago não são nem chocantes nem novos. E apenas representam um obstáculo à fé para quem não tenha a menor ideia do que é e do que pretendia ser o Antigo Testamento. As críticas de Saramago são unicamente banalidades superficiais, que revelam uma profunda ignorância da filosofia e da religião ocidentais e uma total incompreensão da linguagem poética e narrativa de desde há mais de três mil anos. Só quem ignora tal herança, jornalistas e responsáveis religiosos incluídos, poderia tornar o patético desabafo do romancista numa tal polémica. E, para mim, essa foi a parte mais desanimadora e mais perturbante de toda esta "inventada" notícia: descobrir que na sociedade onde vivemos, entre os seus membros mais ilustres e cultivados, possa prolongar-se tão lastimosa ignorância de uma parte importantíssima do legado civilizacional da filosofia e da cultura ocidentais.

Tradução de José Lima


Comentários
comentario 1 a 10 de um total de 138
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comentario31.10.2009 - 13:05 - Hugo Pinto, Porto Salvo
Algumas coisas que a maioria parece estar a esquecer nesta polémica: (1) O Deus revelado na Bíblia é o Deus que demonstrou o mais sublime amor nunca antes visto em qualquer divindade ou humanidade. Foi o Deus que, em vez de destruir toda a humanidade rebelde e maldosa, fez-se homem, e deu a sua vida por amor, no único acto que pode salvar e restaurar a humanidade das suas misérias. (2) A Bíblia continua a ser o livro que mais tem beneficiado o humanidade. Que tem exercido a maior e melhor influência sobre os direitos, a justiça, a educação, as leis e a democracia. Temos memória curta e esquecemos que os homens que mais fizeram pelo bem do mundo não têm os ideais de Saramago, nem de outros ambíguos. Tinham os ideais do Deus da Bíblia. William Wilberforce, o primeiro a conseguir a abolição da escravatura num País (Inglaterra, no caso) e que foi precursor para que acontecesse no resto do mundo e Martin Luther King, que conseguiu um passo gigante no fim da segregação racial, são exemplos incontornáveis desse facto. Enquanto uns ganham prémios Nobel falando e criticando, outros fazem algo de relevante e benéfico. Como diz o provérbio “Enquanto os cães ladram a caravana passa”. Uns criticam; outros melhoram o mundo. Sejam ou não reconhecidos, é deles a glória. Chega de uma sociedade que exalta os pensadores que falam de tudo e nada fazem. Os verdadeiros heróis suam e sangram no furor da batalha; conquistam não a teoria das suas ideias, mas vitórias pragmáticas para os outros. (3) Tanta ignorância sobre o Velho Testamento e a sua mensagem! A sua interpretação não é nem literalmente pessoal (o caso de Saramago), nem romancista subjectiva (o caso de Richard Zimler e tantos padres que falam em mitologia). A mensagem é simples: um Deus cheio de amor, mas que não tolera o pecado, o mal. Afinal de contas, o verdadeiro amor vai além do romantismo hedonista, que hoje prolifera, que não é, nada mais nada menos, que egoísmo disfarçado. O verdadeiro amor não consegue ver a outra pessoa a fazer mal e a receber mal. O Antigo Testamento não contraria o Novo, mas serve-lhe de base ou de preparação. O Antigo Testamento revela um homem que tem uma natureza para o mal e um Deus que o ama, mas que não pode aceitar o mal. Um Deus que, por causa da sua justiça, tem que dar a justa retribuição a todo o mal. (Quando criminosos escapam à justiça, o povo fica indignado e quando é feita justiça no Antigo Testamento, fica indignado também?). O Antigo Testamento revela que a punição do pecado é a morte. Por isso que alguns povos pelas suas loucuras e abominações foram destruídos. Alguns chamam-lhe crueldade, mas nem sabem o que esses povos faziam: entre algumas das suas loucuras e aberrações, lançavam os seus filhos no fogo em sacrifício aos seus deuses. Estavam a influenciar e afectar negativamente todos à sua volta. Certamente que quando um cirurgião amputa uma perna que tem cancro para não chegar a todo o corpo, não é visto como um criminoso. O seu acto não foi um acto cruel. Foi necessário para salvar o resto do corpo. Os actos de juízo divinos sobre esses povos tinham eram dessa natureza. Depois de o Antigo Testamento revelar que a punição do pecado era a morte, o Novo Testamento revela como Deus entrou no mundo como homem, na pessoa de Jesus Cristo, para pagar Ele mesmo a penalidade do mal da humanidade. Quando Jesus foi crucificado, não foi contra a sua vontade, foi o cumprimento da sua missão. Ele pagou o preço, que era a morte. O significado da morte de Jesus pode ser compreendido à luz do Antigo Testamento. Agora, por causa e através da sua morte todo o homem pode experimentar vida. Não apenas a vida existencial, mas vida em abundância (vida cheia de amor, alegria, paz e esperança no presente) e vida eterna (vida que não termina com nenhuma adversidade, nem com a morte). Como podemos ter a certeza disto? Porque Jesus Cristo ressuscitou dos mortos ao terceiro dia e está vivo, fazendo as mesmas coisas que lemos nos Evangelhos que Ele fazia. Podes não acreditar nisso; podes desprezar isso; podes lutar contra isso. Mas há uma coisa que ninguém pode fazer, pelo menos com legitimidade, bom senso, ou sabedoria: é usar qualquer texto que seja da Bíblia (Antigo ou Novo Testamento) para pôr em causa o Deus de amor que lá é revelado. A grande questão não é porque é que Deus puniu com morte alguns povos e pessoas no Antigo Testamento. A grande questão é: Como é que Deus não destruiu toda a humanidade que se rebelou contra Ele e ainda sacrificou o Seu Filho para nos salvar? O facto de Ele permitir que as pessoas possam aceitar ou rejeitar o seu amor; o factor de Ele possibilitar que pessoas se levantem e ponham em causa a Sua Palavra e a Sua Pessoa, não é prova da sua não existência ou indiferença. Ele não está interessado em defender-se ou em salvar-se (afinal, Ele não precisa). O seu interesse é salvar todos os que o aceitam. É mais uma prova clara do seu grande amor.
comentario30.10.2009 - 12:10 - Anónimo, Lisboa
Um belo artigo, escrito por um verdadeiro autor. Saramago nem sabe escrever Português, coitado, como pode pensar bem? Mas de marketing percebe ele, ou quem o rodeia.
comentario30.10.2009 - 02:15 - João Paradela, Cidade da Praia
O menino Richard... não se preocupe o Senhor Saramago vai para o Inferno... Que Deus o proteja...
comentario30.10.2009 - 00:37 - Von Paulus, Socratik TugaLand
Esta polémica toda surgida a partir de um comentário bem superficial do sr. Saramago, foi, de forma indisfarçável, uma campanha de marketing. No entanto, parece-me que Saramago poderá ter dado um ''tiro no pé'' com as suas declarações. Como não reconheço a ninguém competência para me impor ''verdades'' e ''dogmas'', fiquei infinitamente mais curioso por ler e aprofundar o que, afinal, relata a Bíblia. Quanto ao último livro desse senhor Saramago (não me lembro agora do título do livro), bem pode, por mim, ganhar pó na estante de um qualquer alfarrabista...
comentario29.10.2009 - 20:09 - Jorge Silva Marques, Lisboaw
Mais um "crente". Ninguém modela a sua conduta pela Bíblia, diz. Que estupidamente politicamente correcto, passem os dois advérbios. Crente, é óbvio, pois as citações que faz são apresentadas como se de documentos históricos se tratasse. Nunca ouviu falar da crítica das fontes. E se a Bíblia é obviamente uma fonte, é talvez a menos fidedigna pois foi manipulada ao longo de séculos e inclui textos de épocas muito diversas, onde naturalmente existem as maiores contradições. Só a Fé, inimiga de sempre da Razão, pode levar todos estes pobres "crentes" a perdê-la. A Razão, claro. Pois acham que são detentores de um conhecimento, de uma iluminação que transcende o seu próprio entendimento. Que "leveza"...
comentario29.10.2009 - 19:47 - alexandre daun, lisboa
finalmente um artigo interesante sobre a polémica das declarações do saramago. r.zimler só revela ser uma pessoa equilibrada neste mundo de radicais. os meus parabéns.
comentario29.10.2009 - 19:10 - Alberto do Rosário, lisboa
o Saramago já tem idade para dizer e escrever o que lhe apetecer.
comentario29.10.2009 - 17:38 - Pedro Santos, Dublin, Irelanda
Se o "pedro, a" aguarda então estou certo que o Saramago vai fazê-las. Só porque o "pedro, a" quer. E se quiser um cházinho com as declarações também é só pedir, que o Saramago faz! Okay "pedro, a"?
comentario29.10.2009 - 10:24 - Joe McTagen, Lisboa; Portugal
Daqui a uns anos ninguém saberá quem foi R.Zimler mas, as gerações futuras continuarão a ler e discutir Saramago.
comentario29.10.2009 - 10:24 - Anónimo, Lisboa, Portugal
O mal é que a Igreja não evolui, ensina as mesmas coisas que eram ensinadas na Idade Média. Ainda há sete anos atrás ensinaram de igual forma (com as figuras do Adão e da Eva) a criação do Mundo à minha filha e ela acreditou. Aliás, nunca pensei que o objectivo fosse não acreditar. Talvez tenhamos de pensar no baptismo aos 30, depois de deixar de acreditar - afinal o condomínio Céu deve estar lotadíssimo!
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