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A Tinta-da-China brasileira

17.01.2012 - Isabel Coutinho
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A partir de Março, a editora portuguesa Tinta-da-China vai começar a editar os seus autores no Brasil e vai criar uma colecção de literatura infantil cá e lá

Depois de os grupos editorais Leya e Babel apostarem no Brasil, é agora a vez da editora independente Tinta-da-China. Como vários autores portugueses da Tinta-da-China ainda não estão publicados no Brasil, a editora Bárbara Bulhosa teve a ideia de os lançar lá, aproveitando o bom momento daquele país. "Achei que tinha nomes para poder iniciar um projecto no Brasil, que os meus autores poderiam ter leitores também lá", explica a editora, que publica 40 livros por ano. Bárbara Bulhosa sabe que é "uma aventura", "um risco", mas tem "uma grande convicção" no trabalho dos seus autores e acredita que podem encontrar público no mercado brasileiro. 

Formou uma empresa brasileira e vai ter duas pessoas a trabalhar, no Rio e em São Paulo. Em Março, sairá o primeiro livro da Tinta-da-China no Brasil: uma selecção de crónicas do Ricardo Araújo Pereira. O humorista é um dos convidados internacionais - juntamente com Terry Jones, dos Monty Python -, da próxima edição do Festival Risadaria, em São Paulo, o festival de humor mais importante da América Latina. "É uma oportunidade de lançar um autor que sabemos que é muito bom e que não é conhecido no Brasil. Fizemos uma selecção, que fizesse sentido para o público brasileiro, dos vários livros de crónicas dele e de algumas publicadas na Visão mas que ainda não saíram em livro."

A seguir, em Abril/Maio, será publicado o romance O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, que tem o seu primeiro romance publicado na Companhia das Letras mas o resto da obra não está editada no Brasil. Em Agosto, será a vez de a Tinta-da-China brasileira lançar E a Noite Roda, romance de estreia de Alexandra Lucas Coelho, correspondente do PÚBLICO no Brasil, que sairá em Portugal em Março. É a história de Ana e Léon, uma catalã e um belga que se conhecem em Jerusalém e ao longo de dois anos vivem uma paixão intermitente, do Médio Oriente à América, passando por vários lugares da Europa. O fotógrafo Daniel Blaufuks, que no ano passado expôs no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, também verá o seu próximo livro editado naquele país. "O conceito Tinta-da-China mantém-se, não vou fazer uma coisa diferente no Brasil. Mas já estou a receber manuscritos, vou abrir a autores brasileiros", explica. É o caso do primeiro livro da colecção infantil, a editar simultaneamente em Portugal e no Brasil, da escritora brasileira Tatiana Salem Levy (autora de A Chave de Casa e Dois Rios). Haverá traduções da colecção de viagens e de humor. Apesar de partilharmos a mesma língua, "tudo o que for ensaio ou tradução vamos adaptar, tudo o que for literatura vamos publicar exactamente como publicamos aqui", acrescenta.