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Maria Teresa Horta recusa-se a receber Prémio D. Dinis das mãos de Passos Coelho

18.09.2012 - Lusa
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A escritora Maria Teresa Horta, distinguida com o Prémio D. Dinis pelo romance “As Luzes de Leonor”, disse esta terça-feira à Lusa que não o aceita receber das mãos do primeiro-ministro, conforme o previsto

A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para a próxima sexta-feira, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

“Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”, explicou Maria Teresa Horta à Lusa.

“Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência”, salientou a escritora que acrescentou: “Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores”.

Para Maria Teresa Horta, “o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974] e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural”.

A autora afirmou que “o país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto”.

“Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro”, deixou claro Maria Teresa Horta.

A escritora disse que já informou a Fundação Casa de Mateus da sua decisão, assim como a sua editora e falou com cada um dos membros do júri.

A premiada salientou ainda a “satisfação” que lhe deu ter sido distinguida “por um júri que representa três gerações de poetas: o Vasco Graça Moura que é da minha [geração], o Nuno Júdice, que é da seguinte, e o Fernando Pinto do Amaral, que é a mais nova”.

No sítio da Fundação Casa de Mateus, na Internet, é afirmado que “a sessão solene de entrega do Prémio será agendada brevemente”.

O Prémio Literário D. Dinis, instituído pela Fundação da Casa de Mateus, foi atribuído por unanimidade à escritora, pela obra “As luzes de Leonor. A marquesa de Alorna, uma sedutora de anjos, poetas e heróis”, editado pelas Publicações D. Quixote.

Instituído em 1980 pela Fundação Casa de Mateus, em Vila Real, o galardão é atribuído a uma obra literária - de poesia, ensaio ou ficção - publicada no ano anterior ao da atribuição do prémio.

“As Luzes de Leonor”, obra editada em 2011, é um romance sobre a vida da marquesa de Alorna, Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (1750-1839), neta dos marqueses de Távora, uma mulher que se destacou na história literária e política de Portugal num período denominado como “o século das luzes”.

D.ª Leonor de Lorena e Lencastre é avó em quinto grau de Maria Teresa Horta, nascida em 1937, em Lisboa.

Maria Teresa Horta estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, foi jornalista e activista do Movimento Feminista de Portugal, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, com quem escreveu o livro “Novas Cartas Portuguesas”.

“Amor Habitado” (1963), “Ana” (1974) e “O Destino” (1997) contam-se entre mais de duas dezenas de obras publicadas da escritora.


Comentários
comentario 1 a 10 de um total de 11
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comentario19.10.2012 - 09:23 - Anónimo, Lisboa
Que estranho, não aceita prémio pelas mão de A ou B, muito bem está no seu legítimo direito. Quer dizer então que para o próximo prémio há jackpot? Vá lá, seja coerente minha senhora. Não aceita prémio, não deveria aceitar o dinheiro.
comentario27.09.2012 - 18:06 - Roberto Mendonça Faria, Horta, Região Autónoma dos Açores
Como sempre só se pensa no dinheiro e no seu usufruto. O facto de ser de esquerda ou não não implica a aceitação ou não do prémio monetário. Tanto que a senhora em questão não mencionou o destino da verba. Quanto à recusa em si, acho que optou por não "engolir um sapo" e agiu de acordo com a sua consciência e valores pessoais. Quem somos nós para aplaudir ou apontar o dedo? Como se costuma a dizer "cada qual sabe de si e Deus sabe de todos".
comentario20.09.2012 - 17:00 - Paulo Macedo, Vila do Conde
Se ganhou o prémio é porque o merece, quem lho vai entregar é secundário. Se não quer receber o prémio das mãos de A ou B por motivos ideológicos, não receba! Haverá outras pessoas na fundação que estarão à altura do momento e que não o façam com segundas intenções como o fazem os políticos todos....entendam-se!
comentario20.09.2012 - 10:32 - julio carreira, coimbra
Se eu pudesse tambem devovia o livro e todos os outros livrinhos de poesia que ao longo dos anos fui comprando. Um artista tem direito a ter ideologia, a pertencer a um partido político,mas tem que respeitar também os seus leitores, os seus concidadãos que pensam de maneira diferente. Ora V/ não pensa só de maneira diferente,ao desrespeitar um primeiro ministro legítimo, legítimo por 4 anos, está a desrespeitar os seus leitores, os seus admiradores, os apreciadores da sua estectica. Melhor fora que recusasse o prémio. Por mim e por esta sua atitude devolvia-lhe todos os livros que V/ escreveu.
comentario19.09.2012 - 21:26 - Anónimo, porto
parabéns pelo prémio, é muito merecido. Quanto à recusa em recebe-lo da mão do 1º ministro, acho muito bem, esse senhor não é digno de nada, está a destruir os nossos sonhos e o nosso pais. Em relação ao dinheiro do prémio, muito bem ganho. Eu só não entendo como ainda existem pobres em portugal visto que pelos comentários que tenho lido, existem muitas pessoas a doar os seus prémios!!!!
comentario19.09.2012 - 20:56 - Anónimo, Porto, Portugal
Olhem bem para ela: como foi possível deixarmos durante tantos anos de nos socorrermos desta iluminada para salvar o país?
comentario19.09.2012 - 15:41 - Ricarda, Porto
Concordo que o trabalho desta Senhora merece ser distinguido... Mas não percebo a sua recusa de receber o prémio pelo Sr. Passos Coelho... Aliás sendo da esquerda como diz deveria entregar o prémio aos pobres, ou só é da esquerda pela teoria como todos aqueles que vejo neste País??? A moral do partido não é partilhar????!!!
comentario19.09.2012 - 14:04 - Iolanda Nunes, Alhandra
Uma grande escritora e mais que isso uma mulher com M grande!
comentario19.09.2012 - 01:22 - Anónimo, Algarve.
Mas vai aceitar o premio "dinheiro" que vem??? Coisas de Portugueses.Tenha vergonha na cara...
comentario18.09.2012 - 23:10 - Anónimo, sintra
Mulher de coragem, que enche de orgulho os pobres trabalhadores deste país, a quem este governo tanto rouba para dar aos ricos. Parabéns Teresa pela tua atitude. O obrigado de todos os roubados deste país.
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