Jazz

Arte do duo

  • Insight
  • Gary Peacock / Marc Copland
  • Pirouet, dist. Mbari

Crítica Ípsilon por:

Rodrigo Amado

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Dois dos grandes mestres do jazz, Gary Peacock e Marc Copland, abrem nova janela sobre os mecanismos ocultos da nobre arte do duo.

Após uma bem sucedida série de gravações em trio, intitulada New York Trio Recordings, o pianista Marc Copland edita de novo na Pirouet, desta vez em duo com Gary Peacock, mestre absoluto do contrabaixo que participara já em dois dos volumes da referida série, e com o qual gravou, em 2004, um outro registo de duetos, "What it Says" (Sketch). Um encontro partilhado por dois músicos que possuem como características comuns uma particular subtileza, harmónica e melódica, e uma elegância clássica que se encontra, progressivamente, em vias de extinção. Associada a estas características, surge no entanto uma outra que faz toda a diferença do mundo - um gosto partilhado pela aventura musical e pelo risco. Um risco que é tomado nos mais pequenos detalhes, tornando a música vibrante e intemporal. Logo no primeiro tema, o clássico "All blues" de Miles Davis, o contrabaixo de Peacock surge possante, estabelecendo um andamento rápido que é depois agarrado com contenção por Copland, num jogo de contrastes que injecta nova vida num dos "standards" mais tocados de sempre. Mais à frente, num dos temas totalmente improvisados, "Rush hour", o duo mergulha fundo num intenso caleidoscópio impressionista que faz do ritmo matéria prima para as elaborações sofisticadas de ambos.

Ao longo dos treze temas do disco, oito deles da autoria dos músicos, Copland e Peacock conjugam as suas respecti-vas artes numa interacção profunda com ligação directa à alma das can-ções, proporcionando-nos um olhar privilegiado, um autêntico "insight", sobre a verdadeira arte do duo.