Electrónica

Rumo ao infinito

  • Vertical Ascent
  • Moritz Von Oswald Trio
  • Honest Jons, distri. Flur

Crítica Ípsilon por:

Vítor Belanciano

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Um histórico das electrónicas, Moritz Von Oswald, mais dois cúmplices (Vladislav Delay e Max Loderbauer) numa obra absorvente. Para ouvir, ao vivo, 4ª, no Maria Matos, em Lisboa, e 5ª, Gil Vicente, em Coimbra.

Já o ouvimos inúmeras vezes, mesmo sem o sabermos. Figura da sombra, discreto, cultivando o anonimato, o alemão Moritz Von Oswald é um dos músicos electrónicos mais influentes do nosso tempo. De Herbert a Burial todos lhe devem um pouco.

Através dos seus inúmeros projectos (editora Basic Channel e todas as suas ramificações e uma das entidades por detrás de denominações como Maurizio ou Rhythm & Sound), ao longo das últimas duas décadas tem marcado o percurso das electrónicas, do tecno mais abstracto e afluentes, passando pelas linguagens digitais em confluência com o dub jamaicano.

Agora resolveu formar um trio, na companhia do finlandês Sasu Ripatti (ou seja Vladislav Delay, Uusitalo ou Luomo) e de Max Loderbauer dos Sun Electric. Será este mesmo trio que irá actuar ao vivo no Teatro Maria Matos em Lisboa, na próxima 4ª feira, e no dia seguinte no Teatro Gil Vicente de Coimbra.

Em apresentação estará "Vertical Ascent", álbum constituído por cinco longas peças instrumentais, nem música tecno, nem dub, nem jazz, nem ambientalismo, mas tudo isso também, apresentado de forma minuciosa, absorvente, hipnótica. Há espaço, ecos, estruturas rítmicas electrónicas a velocidade variável, atmosferas opacas, baixas frequências, misto de propulsões mecânicas e variantes orgânicas, que nos conduzem por entre uma galáxia inteira de cores, texturas e volumes.

Na capa, um protótipo de foguetão, como se o trio quisesse mostrar que a sua missão é alcançar o espaço. E de alguma forma é isso. Som expansivo, sempre em construção, desfazendo-se e restaurando-se à nossa frente, atravessando vários idiomas, isolando partículas de cada um, transformando-as em instantes onde a electrónica contempla o infinito.


Crítica Ípsilon por:

Vítor Belanciano

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Já o ouvimos inúmeras vezes, mesmo sem o sabermos. Figura da sombra, discreto, o alemão Moritz Von Oswald é um dos músicos de electrónica mais influentes do nosso tempo. De Herbert a Burial todos lhe devem um pouco. Através dos inúmeros projectos (editora Basic Channel e todas as suas ramificações e uma das entidades portrás de denominações como Maurizio ou Rhythm & Sound), ao longo das últimas duas décadas tem marcado as electrónicas, do tecno mais abstracto e afluentes passando pelas linguagens digitais em confluência com o dub jamaicano. Agora formou um trio, na companhia do finlandês Sasu Ripatti (ou seja Vladislav Delay, Uusitalo ou Luomo) e de Max Loderbauer dos Sun Electric. Estiveram esta semana em Portugal apresentado "Vertical Ascent", álbum constituído por cinco longas peças instrumentais, nem tecno, nem dub, nem jazz, nem ambientalismo, mas tudo isso também, de forma minuciosa, absorvente, hipnótica. Há espaço, ecos, estruturas rítmicas electrónicas a velocidade variável, atmosferas opacas, baixas frequências, misto de propulsões mecânicas e variantes orgânicas que nos conduzem por entre uma galáxia inteira de cores, texturas e volumes. Na capa, um protótipo de foguetão, como se o trio quisesse mostrar que a sua missão é alcançar o espaço. E de alguma forma é isso. Som expansivo, em construção, desfazendo-se e restaurando-se à nossa frente, atravessando vários idiomas, isolando partículas de cada um, transformando-as em instantes onde a electrónica contempla o infinito.