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Gala Drop

  • Overcoat Heat
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Crítica Ípsilon por:

Vítor Belanciano

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Pode ser coincidência - para quem acredita no Pai Natal - mas não parece que o seja. Os dois discos portugueses mais estimulantes do ano são EPs com quatro temas cada um. Falamos de "É uma água" dos PAUS e deste "Overcoat Heat" dos Gala Drop, que se segue ao óptimo álbum de estreia de 2008. E não é coincidência porque ambos os projectos - sonicamente diferentes - fazem parte de uma geração que já assistiu à fragmentação da indústria e revela uma vontade de operar e de comunicar de forma diferente, não se preocupando se as opções de base correspondem às normas mais convencionais. No álbum de estreia os Gala Drop (Afonso Simões, Nelson Gomes, Guilherme Gonçalves e Tiago Miranda, com um máxi-single editado em nome próprio mesmo agora na DFA dos LCD Soundsystem) apresentavam uma música expansiva e cósmica, mescla de electrónicas e ritmos percussivos construídos sobre um manto sonoro dolente, onde encontrávamos alusões ao dub ou ao krautrock alemão.

Agora neste registo para a americana Golf Channel, adicionam a essas características nucleares dinamismo rítmico e palpitações "neo-disco", criando quatro temas de envolvimento dançante, feitos de percussões, ecos, guitarras, sintetizadores, psicadelismos e de um tipo de calor tropical lisboeta que só pode ser pós-efeito-estufa. Em 2008 escrevíamos que traduziam uma Lisboa tropicalista, africanizada, miscigenada, mas era ainda qualquer coisa de mais desejado do que real. Com "Overcoat Heat" aquilo que eram indícios e ecos remotos adquire uma forma sensível e comunicante, capaz de ultrapassar resistências. Magnífico.

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