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Crítica Ípsilon por:

Gonçalo Frota

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2 de 3 pessoas acharam útil a crítica que se segue.


É quase irresistível colocar “Pitanga” a rodar com um bloco-notas à frente para apontar em que é que a Mallu produzida por Marcelo Camelo se distingue da Mallu-menininha que lançara os dois primeiros álbuns e se justapõe a uma versão feminina do ex-vocalista dos Los Hermanos. E é quase impossível mandar embora dos lábios o sorriso de “estava mesmo a ver-se que ia dar nisto” quando começa “Velha e Louca”, as guitarras logo naquele seu jeito de Beatles de Copacabana a denunciar que mãos as tocam. Mas depois vem o banjo de Mallu, a sua voz de candura juvenil e melodias de mulher feita, e a certeza de que estas são as suas canções e não aquelas que Marcelo disfarça como se fossem dele.

Antes de “Pitanga”, Mallu era uma simpática e condescendente atracção de domingo à noite: uma miúda adolescente a fazer canções que soavam certinhas mas faziam ricochete na pele e não entravam de forma alguma. Agora, que fez o seu próprio “achamento” do Brasil, que lhe passou o fervor teen do deslumbre folk norte-americano e percebeu que só explorara parte da colecção de vinil dos pais, “Pitanga” é outro campeonato. E daí vem um “Sambinha Bom” cujo título passa incólume num detector de mentiras, mas também uma outra maleabilidade para as suas inglesices, um “Baby, I'm Sure” que lembra por todas as razões o “Baby” d'Os Mutantes, um “In the Morning” que poderia ser Feist a tentar ser Rita Lee ou um “Highly Sensitive” que soa à chanson-rock de Olivia Ruiz produzida por Mathias Malzieu (Dionysos). No bloco-notas (tradução possível: documento word) resta apenas uma entrada: “guitarras naquele jeito Beatles de Copacabana”. E está na hora de apagá-la.