Festival de Reading: momentos finais do rock enquanto grande manifestação artística e cultural
Bleach

Uma anomalia: Kurt Cobain

19.11.2009 - Vítor Belanciano
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Em 1989 uma banda de Aberdeen, Seattle, gravava com apenas 600 dólares o álbum de estreia: "Bleach". 20 anos depois esse disco é reeditado. E sai em DVD o registo de um concerto, "Live at Reading", quando o mundo eram os Nirvana. A história deles e a nossa nunca foi a mesma.

Por falar em Kurt... Mais exactamente, Kurtz, o coronel renegado, interpretado por Marlon Brando no épico de Coppola "Apocalypse Now". O filme centra-se na missão liderada pelo capitão do exército americano Benjamin Willard (Martin Sheen), cujo objectivo é eliminar o enigmático Kurtz, que lidera, no interior da selva vietnamita, qual rei divino, uma milícia de dissidentes e nativos.

Porque é que o exército americano quer eliminar um dos seus? Porque Kurtz deixou de obedecer à linha de comando. Não porque tenha desistido da guerra ou deixado de acreditar nesses ideais. Pelo contrário: crê totalmente, mas por excesso. Sofre de sobre-identificação com a instituição militar. Foi ultrapassado pelos acontecimentos. Até à loucura. Transformou-se no desregramento a abater. Um incómodo.

Ele percebe-o. No final é Willard a matar Kurtz ou é Kurtz a preparar o terreno para que Willard o abata? A imolação de Kurtz, sequência que encerra o filme, é a tentativa de lidar com a desordem cosmológica. Um exaltado fotojornalista - Dennis Hopper - que Willard encontra na selva faz de arauto. É ele que nos diz sobre Kurtz: "The man is clear in his mind, but his soul is mad." Não poderíamos dizer o mesmo de Kurt Cobain?

O filme da sua vida foi outro, mas foi também o mesmo. Interpretou os princípios da contracultura, acreditou neles, excessivamente. Sofria de sobre-identificação com a ética punk-rock. Foi ultrapassado pelos factos. Via-se como criador alternativo mas os seus discos vendiam milhões. Em parte, por ele, música antes encarada como difícil foi cunhada e vendida às massas como "grunge".

A popularidade embaraçava-o. Queria fama, mas não estava preparado. Quem tinha 20 anos olhava-o como guia. Mas ele não queria ser guia. Sentia que estava tão perdido como os que queriam ser guiados. Nunca conciliou os seus princípios com o sucesso. O suicídio resolveu o impasse, antes que o rasto de integridade desaparecesse por inteiro.

20 anos depois, na altura em que se assinala a edição do primeiro álbum dos Nirvana, "Bleach", o mistério sobre Kurt e a sua banda mantém-se. Ficarão para sempre com o nome gravado na História do rock dos anos 90 - mesmo se parecem ter constituído uma anomalia.

Aquela voz, de onde vinha?

Nesse período, do ponto de vista criativo, as linguagens da música de dança é que faziam a revolução. Mas para a indústria elas não representavam nada. No mercado mais rentável do mundo, o americano, o rock dominou sempre. Os concertos eram lucrativos e o culto da personalidade suplantava o anonimato das electrónicas. 

Quem tinha vivido os anos 60, 70 e 80 dizia que já não havia mais nada para inventar. Dos Velvet Underground aos Stooges, tudo parecia ter sido feito. Mas o rock, velha carcaça, recusava-se a morrer.

Kurt Cobain nasceu em 1967. Lia fanzines rock. Escutava Vaselines, Daniel Johnston, Raincoats, TV Personalities, Black Flag. Rock independente, cultivado em caves escuras. Regia-se pela ética punk-rock. Pertencia a uma elite: aqueles que se zangavam a sério contra os valores burgueses. Era contra o capitalismo, a favor do "faça-você-mesmo". Contra o espectáculo, pela anarquia. Pelo regresso da sinceridade, mesmo sabendo que a história do rock está repleta de traições.

O rock, para Kurt, eram canções cruas, o visual de todos os dias, lutar contra o estabelecido, convencer seguidores a recusar o sexismo, a homofobia, o novo-riquismo. As canções, virulentas, punham a nu a vaidade e a opulência da América, do Ocidente, do princípio dos anos 90. Tornavam visível a esclerose, a gordura. O capitalismo, dizia Kurt, era "a gula."

Anotava as suas reflexões num diário. Cresceu na década de 90, a primeira, depois da década de 40, que viu duas gerações distintas - pais e filhos - a gostarem da mesma música. O rock, os Beatles, os Stones, com os quais os pais também haviam crescido.

Mas Kurt tinha raiva da geração dos pais. A cólera tinha que explodir. Em 1987, os Nirvana. E ele, esperançado, anotava: "Vamos lançar o álbum às nossas custas. Achámos uma fábrica que prensará 1000 discos por 1600 dólares, o que faz com que tenhamos que vender apenas 250 discos para recuperar o nosso investimento."

Acabaria por ser a independente Sub Pop a editar o primeiro álbum, "Bleach", registado em apenas seis dias. Kurt tinha 22 anos. Não se saiu mal. 80 mil exemplares. Mais de 1,7 milhões de cópias vendidas até hoje. O maior sucesso de sempre da Sub Pop.

Os Nirvana tornam-se líderes dessa coisa chamada grunge. Em Seattle outras formações praticavam música semelhante (Melvins, Soundgarden, Pearl Jam, Screaming Trees, Alice In Chains), mistura de Neil Young punk e Black Sabbath pop, desordem, melodias perdidas por entre guitarras cerradas e, no caso dos Nirvana, aquela voz, passando da dor à raiva, do apaziguamento ao caos. De onde vinha? Entre as influências citava "os divórcios, as drogas, os efeitos sónicos."

O desgosto formava o gosto

Ao vivo os Nirvana ganhavam reputação de grupo incontrolável. Em 1991, o rock precisava de sangue novo. Em quem apostar? Havia os Pixies, mas Frank Black era anafado. Não parecia Jesus como Kurt. Dir-se-ia mais um simpático caixa de supermercado do que outra coisa. E os Sonic Youth? Muito artísticos, muito nova-iorquinos, veteranos.

Restavam os Nirvana. Restava injectar visibilidade e dólares no grunge de Seattle. E o negócio abateu-se sobre a cidade. Visualmente era Kurt quem sobressaía. Loiro, ar torturado, desleixado como um roqueiro que se preze.

E os Nirvana assinaram por uma multinacional.

Foram convidados a descer até Los Angeles para gravar o segundo álbum. Prudente, a Geffen prensou apenas 50 mil exemplares de "Nevermind". Foram vendidos mais de 10 milhões. Para quem tinha vivido a década de 80 foi a surpresa. O álbum transformava a impotência em energia, a inércia em dinamismo, mas ninguém acreditava que aquele som - descendente dos Husker Du, Dinosaur Jr ou Sonic Youth - teria hipóteses de seduzir. Seduziu.

Em parte, por um single, "Smells like teen spirit". Em 1991 ser jovem era aquela canção, aquela deflagração, rejeição de qualquer coisa inominável. O desgosto formava o gosto. Tornava-se êxito disforme, aberração dos tops habituados a acolher de braços abertos Vanilla Ice. As palavras eram confusas, mas tornava-se num hino de revolução adolescente, impulsionada por um vídeo sugerido por "Over The Edge", filme de Jonathan Kaplan, com Matt Dillon.

Mas de que espírito jovem falava Kurt nessa canção? Do punk-rock que queria acabar com a gula e o cinismo dos mais velhos? Ou do espírito dos adolescentes da América, dessa geração que obedeceu a Bush pai, adoptou valores reaccionários, correu aos cinemas para ver "Forrest Gump" ou às lojas de discos para comprar Bryan Adams?

Kurt horroriza-se com a debilidade dos seus pares. Com o estado do mundo. E com as suas próprias desventuras: porque é que se droga, arma zaragata, destrói hotéis como se fosse uma trivial celebridade rock? Porque é que se casa com uma estrela, Courtney Love, tão frágil como ele? Porque é que os dois adquirem uma casa como todos os casais conformistas que critica? Porque é que ele, no auge da glória, não pode, não consegue, mudar o estado das coisas?

Sim, tornara-se numa personalidade. A revista "Rolling Stone", outrora alternativa, agora símbolo do entretenimento, quer que ele pose para a capa. Ele não devia, escreve. A ética punk não lho permite. A ele, das "fanzines". Mas é estrela, a "Stone" é importante, tem que fazê-lo.
Para não passar por marioneta tem uma ideia: posa para a capa, mas de t-shirt, com a inscrição "corporate magazines still suck", forma de insultar a "Rolling Stone". É isso que pensa, mas a vida é mais complexa.

Ao aceitar essas condições a "Rolling Stone" dá provas de largueza de espírito. É admirada por isso. Kurt sofre. Pensava que se podia infiltrar no sistema para o fazer explodir, mas transforma-se no alibi do sistema, que o exibe: olhem para os Nirvana, indomáveis, rock com alarido, comprem os discos e estarão a comprar também uma atitude rebelde.

A partir de determinada altura percebe que os amantes de rock já não são aliados. Ele que se sentia diferente ao ouvir os Vaselines e que acreditava na atitude combativa, percebe que os dez milhões que o ouviam eram os mesmos que iriam ouvir, mais tarde, Limp Bizkit.

Não espanta que desconfiasse dos fãs de rock, sobretudo os da primeira geração, os renegados que, na sua visão, haviam traído ideais. "O leitor médio da ‘Rolling Stone' é um ex-hippie que virou hipócrita e que olha para o passado como sendo a época de ouro, mas absorveu o capitalismo com indulgência, moderação, numa palavra, acomodou-se." Porquê a animosidade contra os "hippies"? Não eram suficientemente radicais. Tinham-se vendido. Eram "yuppies".

Kurt e Eddie

Apesar de ser o número 1 mundial continuava um pequeno punk. No festival de Reading apresenta-se de bata e cadeira de rodas. Nos prémios MTV os Nirvana tocam uma canção chamada "Rape me". Kurt ainda acreditava. Mas intensificava-se a sensação que já não passava de um Dom Quixote a esbracejar no vazio.

Tenta curas de desintoxicação, com e sem Love. A 2 de Maio de 1993, uma "overdose" de heroína em Seattle. Prepara-se o sucessor de "Nevermind". Os Nirvana querem lançar um disco assumidamente difícil. Cobain deseja que tenha o título de "I hate myself and i want to die". Mas os imperativos do negócio falam mais alto. Chamar-se-á "In Utero" e trepará pelos tops. A 4 de Março de 1994, em digressão, mais uma "overdose", em Roma. Um mês depois, a 5 de Abril, suicídio. Ao lado do corpo: "É melhor apagar de uma vez que desaparecer aos poucos."

Tinha 27 anos. Infiltrou-se no sistema. Os Nirvana impuseram às massas a cólera face à gula. Para muitos, Kurt perdeu. Puxou de uma arma, mas apontou-a a si próprio. Para outros, não; foi grande. Esses normalmente tendem a compará-lo a Eddie Vedder, dos Pearl Jam, outro grupo seminal de Seattle, ainda activo. Faz sentido.

Enquanto Kurt sempre teve dificuldade em lidar com grandes audiências, e em palco quase não dizia nada, Eddie comporta-se como o irmão mais velho, aquele que se oferece para ser guia.

A voz de Kurt é coisa em bruto, expondo uma raiva incoerente, assente em letras pouco claras. Eddie conta histórias. As canções dos Nirvana são mais desafiantes, mas não oferecem calor. Quando muito são catárticas.

Eddie parece tentar chegar ao outro. Kurt quer que o deixem em paz.
Aquilo que faz do primeiro um herói do rock - no sentido mais conservador do termo - é que é alguém que nunca desiste de lutar. "In Utero", o último grito dos Nirvana, é o oposto. É desistir, é o isolamento, o casulo onde Kurt se resguarda das contradições de ser um rebelde milionário.

Talvez Eddie seja um ser humano melhor. Mas segundo o mito romântico do criador, talvez Kurt seja melhor artista. Como o Kurtz de Brando: era lúcido. De uma lucidez disforme, incapaz de percepcionar a totalidade à sua volta. Ninguém se surpreendeu quando se suicidou. Mas mesmo assim a sua morte continua a inspirar as mais bizarras e diversas teorias conspirativas.

Quem matou Kurt Cobain? A resposta é óbvia. Kurt Cobain matou Kurt Cobain. Mas também foi vítima: vítima do mito de que para se ser autêntico, verdadeiro e comprometido, não se pode ser popular.


Comentários
comentario 1 a 10 de um total de 59
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comentario29.11.2009 - 00:01 - afonso, portugal
tirando a parte do apocalipse now, esta excelente, parabens. mas para a proxima deixa o marlon descansado. mais uma coisa, curti muito o nevermind mas se querem que vos diga a letra não me dizia nada, cambada de patetas
comentario27.11.2009 - 09:25 - Marcos, Barcelona
Caro Amigo/Amiga de Nottingham: não se tome nem a si nem aos outros dessa forma tão ortodoxa, sobretudo quando por trás de cada ícone contemporâneo está uma pesada indústria de entretenimento especializada em fazer-nos “sentir coisas”. Nem use esse tom de deus ofendido e vingador só porque alguém teve uma opinião diferente da sua - já não há pachorra. Sobre o artigo: não estou de acordo com a perspectiva tomada, mas está muito bem escrito e pelo debate que gerou já tem o objectivo cumprido. Somos todos gregos ou troianos, e sobre isso não há nada a fazer. Cumprimentos a todos os leitores e parabéns pelo Ípsilon!
comentario26.11.2009 - 12:49 - Pudget, Nottingham - UK
A cada dia que passa dou um pulinho aqui par ver os comentários, tomar o pulso à falta de sensatez das pessoas, e cada vez mais acredito que o ser humano quando não sente algo esforça-se por denegrir o sentimento dos outros. Para mim quem ouve a música porque gosta da música mas a letra lhe passa ao lado, tem pouco ou nenhum respeito por si próprio, é marioneta dos sentidos e porque não percebe traça perfis psicológicos repletos de banalidade porque só assim consegue encaixar haver quem destile da essência das coisas muito mais sucedâneo do que nos é dado à superfície. Em todos os estilos musicais e em todas as décadas existiram ícones, uns porque esgravataram o conceito por necessidade e outros porque aplacaram a "tag" por consequência. Estar a avaliar um ícone como Kurt Cobain ou a influência dos Nirvana nas vidas de muitos como eu, é minimalista, é redutor, e é acima de tudo imbecil. Viajou pouco dizem uns, família assimétrica e vivência claustrofóbica??? Conheço pessoas em mundos evoluídos, providas de tudo e mais qualquer coisa que devido às suas mentes "narrow minded" não dão dois passos decentes frente ao anriz, mas puxam dos galões gramaticais e da semântica psicológica para fazerem análises de coisas que não viveram e não sentiram na pele. Em suma, hipocrisia de quem mais valia estar calado. Criou dimensão humana, criou dimensão emocional, falou de coisas que via todos os pais quererem esconder, revelou, sofreu e foi humano... com toda a qualidade da sua música... para mim, na sua dia pequenez, Foi Grande!
comentario26.11.2009 - 11:47 - Jacinto, Lisboa
Foi uma marca na década de 90 de facto, mas talvez para os que sem necessidade, tentavam exprimir uma voz que deles não era provida. Nirvana foi em Portugal algo que chegou e marcou com o Nevermind, Pearl Jam com o Ten ponto. O Bleach, esse sim, o único albúm de jeito da banda (a meu ver), criado à rebeldia que texto supra escrito tentar colorir, não foi acompanhante dos walkman''s pelos demais transeuntes da classe média/alta que se faziam grandes "malucos" na escola, mas que eram os meninos dos papás fora dos portões. Eram os renegados que criavam os seus próprios "ghettos" de betos, mas que se afirmavam a ouvir Nirvana. Eram tão hipócritas quanto, o próprio Kurt, pois na revelia de se evidenciar como um punk, esqueceu o verdadeiro principio, caiu na graça do capitalismo, esqueceu-se e comprou uma casa para ele e para a sua amada caindo no American way of life, tão visivel quanto o comentário (talvez mal expressado) "As ideias e mensagens contidas na sua música passavam-me ao lado". Quero com isto dizer que é ainda bastante notorio e que a contradição de ideais é facilmente ultrapassada pelo ser humano, que racionalmente equaciona o que de melhor para si deve fazer. A essencia do grunge ficou em bandas com protagonistas tais como Mark Lanegan, Melvins etc. Deixo um repto sobre o que já foi considerado pela Time um dos mais influentes homens nos U.S.A., Trent Reznor de NIN.
comentario25.11.2009 - 23:22 - Bruno, Lisboa
Muito bom, gostei muito! Apenas um pouco forçada a analogia com “Apocalypse Now”. Pertenço à geração dos 30 que cresceu com Nirvana na adolescência. Desde esse altura, que não me lembro de uma revolução tão grande na música, e ao mesmo tempo tão massificada. Falou em Limp Bizkit, hoje uma banda morta e claramente pop teen. Não há. Continuam todos os dias a surgir grandes músicas, e todos os dias as procuramos no iTunes e as colocamos nos MP3, ficam connosco, mas não marcam a nossa maneira de ser. Tal como Beatles e Stones nos 60, Pink Floyd e Dire Straits nos 70/80, U2, Michael Jackon e Madonna nos 80/90, provavelmente diremos Nirvana e Pearl Jam nos 90. Ficamos a aguardar pelas referências das décadas seguintes…
comentario25.11.2009 - 19:03 - Anónimo, Coimbra
Está bem. Sinceramente, na altura em que ouvia Kurt Cobain, eu fazia-o porque adorava a música. Simplesmente isso. As ideias e mensagens contidas na sua música passavam-me ao lado... Ás vezes as coisas são simplesmente assim.
comentario25.11.2009 - 17:02 - Anónimo, porto, portugal
Vi há pouco tempo o documentário “About a Son” (AJ Schnack, 2006) – com imagens dos mundos percorridos por Cobain desde as suas primeiras memórias de Aberdeen até Los Angeles e com a longa entrevista intimista que concedeu a Michael Azerrad , autor do livro "Come As You Are: The Story of Nirvana", como pano de fundo. Vi ímpeto, raiva, fúria, rasgos de discernimento e lucidez, rebeldia sem causa e muita desarticulação no discurso. Se calhar sou severa no julgamento, afinal Cobain morreu com 27 anos, era um miúdo. Mas o que o tornava diferente de tantos outros miúdos encerrados em povoados claustrofóbicos, vítimas de famílias assistémicas e de instituições repressoras? Cobain não tinha mundo, a primeira viagem que fez foi a Olympia, que estava a 80 kms de Aberdeen, quando tinha 18 anos; ele era obcecado. Adorava a música, ouvia-a todo o tempo, tocava sempre que podia. E sabia o som que queria criar, era o seu norte ontológico. A sua obsessão permitiu que o grupo remasse contra a tempestade até a maré virar a seu favor. E tinha talento. Um talento incrível para interpretar com entranhas, como a Janis Joplin. E já está. Nem precisava de mais. O resto... vi um adolescente como tantos outros, com os mesmos mitos de tantos outros, com a mesma insegurança, incoerência e antipatia de tantos outros. Não acho necessário rodeá-lo de mais mitos. O talento e a obsessão que tinha pela música já bastam. Parabéns pelo artigo, muito bem escrito.
comentario25.11.2009 - 16:28 - João, Lisboa
Excelente Artigo. Parabéns. Porque não agora fazer um artigo do género para o "pai" Eddie Vedder. Também vale a pena lembrar heróis enquanto vivem. Mais uma vez, Parabéns.
comentario25.11.2009 - 15:55 - David Marques, Faro, Portugal
Grande artigo. Extremamente lúcido e totalmente cativante. Parabéns ao seu autor!
comentario25.11.2009 - 15:52 - Sérgio Vasconcelos, Lisboa, Porrtugal
Artigo fantástico, sem dúvida digno de ser lido e relido. Lúcido, conciso, completo, uma analogia de arrepiar, principalmente para detinha Nirvana como uma das bandas de referência da sua adolescência. Muitos parabéns
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