Isis
Pop

Isis, reis do pós-metal

26.11.2009 - Pedro Rios
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Sábado em Almada, na Sociedade Filarmónica da Incrível Almadense; domingo no Porto, Teatro Sá da Bandeira

Em 2002, os norte-americanos Isis lançaram um dos discos fundamentais do metal menos ortodoxo desta década. "Oceanic", o segundo álbum da banda de Boston, é uma sucessão de convites ao abanar sincronizado de cabeças conhecido como "headbanging", um portento de "riffs" monolíticos em câmara lenta que desaguam em paragens mais calmas, devedoras do que se convencionou chamar de pós-rock. Ou seja, andavam entre os Black Sabbath, os Neurosis (banda com enorme influência no cenário metal contemporâneo) e os Mogwai.

Rapidamente, ascenderam à condição de reis entre os filhos dos Neurosis, a ponto de, eles próprios, terem gerado descendência, com bandas como os Pelican e os Callisto a deverem-lhes muito. Há quem lhes chame pós-metal, rótulo que não lhes fica mal.

"Panopticon" (2004) viu-os a explorar mais o lado calmo da sua música, constituindo um segundo momento sublime na discografia do grupo. Nos dois últimos discos, "In the Absence of Truth" (2006) e "Wavering Radiant", lançado este ano, a banda tornou-se mais ambiciosa e procurou diversificar o seu som, aproximando-se, em certos momentos, do quase-prog dos Tool (Adam Jones, dos Tool, toca nos dois álbuns), mantendo a união entre peso e exploração de ambientes que é a sua imagem de marca.

Os dois concertos de estreia dos Isis em Portugal (amanhã, na Incrível Almadense, em Lisboa; domingo, no Teatro Sá da Bandeira, no Porto) contam com a presença dos veteranos Circle, finlandeses que vão a todas (ao krautrock, ao black metal, à "psicadelia") e safam-se com um sorriso, e os Keelhaul, metaleiros que sabem equilibrar peso com vontade de complexificar e desconstruir.