Leia também
Os A Curva da Cintura, hoje, é uma das bandas mais aguardadas
DR

Loulé mostra um mundo de música no Festival Med

29.06.2012 - Mário Lopes
diminuiraumentar


Reduzido a dois dias na sua 9.ª edição, o Med apresenta como destaques Cheik Lô, os Jamaican All Stars ou A Curva da Cintura.

As restrições financeiras em ano de crise obrigaram a que o Med, em Loulé, um dos mais celebrados festivais portugueses de músicas do mundo, se reduzisse a dois dias, o de hoje e o de amanhã, em que o seu centro histórico, emaranhado de ruas de onde brotam tascas portuguesas, restaurantes marroquinos improvisados, galerias de arte e bancas de vendedores de rua, é invadido por música dos quatro cantos do planeta. Mas isso não alterou o desejo de criar um feliz convívio cultural guiado pela música. 

Num festival que acolherá como cabeças de cartaz, hoje, o senegalês Cheik Lô e, amanhã, os Jamaican Legends formados pelos míticos Sly & Robbie, pelo guitarrista Ernest Ranglin e pelo teclista Tyrone Downie (dos Wailers de Bob Marley), o desejo de estabelecer pontes culturais é superiormente representado pelos A Curva Da Cintura (hoje, Palco Cerca). Juntam um mestre maliano da kora, Toumani Diabaté, a dois históricos brasileiros, o ex-Titãs Arnaldo Antunes, e Edgard Scandurra, dos Ira!, para fundir bucolismo pop rock com a luxuriante magia da música maliana. O álbum homónimo revela um encontro frutuoso: África e América do Sul, com a tradição pop anglo-saxónica como pano de fundo, o português como guia e uma versão de Elisa, de Serge Gainsbourg (Meu cabelo), esbatendo ainda mais as linhas de fronteira.

Esta noite, haverá mais Mali, o Mali moderno de hip hop e griots dos SMOD, produzidos por Manu Chao (Palco Matriz). No Palco Cerca actuam ainda os PAUS, a banda de Joaquim Albergaria, Hélio Morais, Makoto Yagyu e João Pereira, que faz de cada concerto uma celebração comunal de ritmo e de rock multiforme. A sua presença num festival de música do mundo não é uma surpresa. O Med assume o termo na sua mais correcta acepção e, portanto, o rock dos PAUS ou o funk de George Clinton (cabeça de cartaz em 2011) merecem a mesma atenção que as músicas de raiz do Senegal ou dos Balcãs. 

No que ao contingente português diz respeito, de resto, os PAUS estão longe de estar sozinhos. A atenção à modernidade do cenário português é outra das marcas do festival. Além deles, o Med acolherá hoje o rockuduro dos Throes & Shine e as fantasmagorias folk rock dos A Jigsaw (ambas no Palco Castelo) e, amanhã, o impressionante talento de Norberto Lobo, a felicíssima pop dos You Can"t Win Charlie Brown (ambos no Palco Castelo) e as canções "patuscas", atascadas, dos Caruma (amanhã, Palco Cerca). 

O cartaz completa-se com outro maliano, o mestre da guitarra Boubacar Traoré, e com o funk carioca de DJ Sany Pitbull. Isto, claro, sem esquecer a tradicional festa que encerra o dia. No Palco Castelo, hoje, ouvir-se-á o reggae de I-Rick DJ. Amanhã, o Clube Conguito encerrará o festival com um melting pot de afrobeat, salsa, funk ou fanfarra balcânica.

O bilhete diário para o festival custa 12 euros.