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2011

Os melhores espectáculos de Teatro em 2011

15.12.2011
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Escolhas de Jorge Louraço Figueira e Tiago Bartolomeu Costa

1. Villa+Discurso de Guillermo Calderón

Encenação de Guillermo Calderón

Teatro en el Blanco (Chile)

Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1 a 3 de Julho (Próximo Futuro)

"Villa" e "Discurso" são duas peças distintas. Na primeira, três raparigas discutem o destino a dar um dos centros de tortura e extermínio da ditadura de Pinochet, argumentando a favor e contra a monumentalização do terror. Em "Discurso", as mesmas três actrizes encarnam a ex-presidente chilena Michele Bachelet, num discurso de despedida que todos gostaríamos de ouvir. Calderón é um dramaturgo capaz de criar as mais originais ficções para traduzir em experiência teatral íntima a experiência social contemporânea. A sua poética dá conta de todas as contradições dos temas propostos, usando o maravilhamento perante a fulgurância das falas para conduzir o espectador ao coração do debate político. J.L.F.

2. Woyzeck on the Highveld

de William Kentridge

Encenação de William Kentridge

Handspring Puppet Company (África do Sul)

Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 16 a 18 de Junho (Próximo Futuro)



O encontro entre o artista plástico e encenador William Kentridge e o universo das marionetas da Handspring Puppet Company transformou a secular história de Woyzeck, homem iludido que se perde, num exercício de imaginação plasticamente irrepreensível. Clássico moderno criado em 1992, mostrou um mundo multireferencial a partir da África do sul no tempo do apartheid. T.B.C.

3. Ela

de Jean Genet

Encenação de Luís Miguel Cintra

Teatro da Cornucópia (Portugal)

Teatro do Bairro Alto, Lisboa, 16 de Junho a 24 de Julho


Luís Miguel Cintra revelou ao público português esta obra, mantida inédita, a pedido do autor, Jean Genet, até à sua morte. A peça mostra uma sessão de fotografia do Sumo Pontífice. O actor apresentou um Papa jocoso e carnal, que dança e faz caretas ao espelho, numa reflexão profunda sobre o poder dos ícones. J.L.F.

4. Fim de Festa

de Samuel Beckett

Encenação de Krystian Lupa

Teatro de la Abadía (Espanha / Polónia)

Teatro Municipal de Almada, Almada, 14 e 15 de Janeiro

Fiel ao espírito de Beckett, esta versão resiste tanto ao óbvio como ao rebuscado. As personagens têm consciência da actuação, sublinhando a comicidade da peça. Hamm está numa espécie de bunker, cuja entrada está cheia de areia. Nell e Nagg estão em relicários de vidro. E Clov, no final, vem de vestido anunciar a partida. J.L.F.

5. Eu Sou o Vento

de Jon Fosse

Encenação de Patrice Chéreau

(França / Reino Unido)

Teatro Municipal de Almada, Almada, 17 e 18 de Julho (Festival de Almada)

A descoberta da escrita de Jon Fosse (tardia, admitiu Chéreau) trouxe um olhar renovado sobre a máquina teatral. Jogo de actores a descoberto, numa encenação despojada de artifícios a partir de uma tradução exemplar de Simon Stephens, revelou um encenador minucioso que, partindo da palavra, reencontrou o corpo. T.B.C.

6. Desvio da Missão

de the TEAM

Encenação de Rachel Chavkin

the TEAM (EUA)

Culturgest, Lisboa, 14 a 16 de Julho (Festival de Almada); Oficina Municipal do Teatro, Coimbra, 22 e 23 de Julho

Os factos reais e as personagens míticas do imaginário "made in USA", num musical que alterna entre a viagem de dois imigrantes holandeses para o Novo Mundo, no século XVII, o apogeu de Las Vegas no pós-guerra e a crise financeira de 2008, com uma articulação impecável entre texto, canções e actuação. J.L.F.

7. El Gallo

de Cláudio Valdés Kuri e Paul Barker

Encenação de Cláudio Valdés Kuri

Teatro de Ciertos Habitantes (México)

Mosteiro de São Bento da Vitória, Porto, 3 de Junho (FITEI)



Uma "ópera para actores" que reproduz um processo de criação, começando com a audição dos intérpretes, passando pela autêntica luta de galos que são os ensaios e culminando na estreia. O elenco age como se tivesse a vida em jogo. A música, as situações criadas e as interpretações são impagáveis. J.L.F.

8. Third Generation

de Yael Ronen & The Company

Encenação de Yael Ronen Schaubühne

Habima National Theatre (Alemanha / Israel)

Theatro Circo, Braga, 20 de Maio; Teatro Nacional São João, Porto, 21 e 22 de Maio (Odisseia: Teatro do Mundo)



"Third Generation" é como uma sessão de terapia de grupo entre jovens alemães, israelitas e palestinianos, que põe a cabeça dos espectadores a andar à roda com o verso e o reverso dos assuntos em questão. A plateia torna-se o objecto da encenação, dada a forma certeira como a representação age sobre os espectadores. J.L.F.

9. Israel

de Pedro Penim e Catarina Campino

Teatro Praga (Portugal)

Teatro Maria Matos, Lisboa, 22 a 27 de Setembro



Parábola extraordinária sobre o amor como condição geográfica e exercício de flagelação teatral, "Israel" deu a ver, em topo de forma, um actor-autor que, ao longo dos anos, instituiu, no seio do Teatro Praga, uma reconfiguração do teatro pós-dramático. Peça política, com certeza, a testar os limites das 
programações. T.B.C.

10. A Missão - Recordações de uma Revolução

de Heiner Müller

Encenação de Mónica Calle

Casa Conveniente (Portugal)

Casa Conveniente, Lisboa, 21 a 31 de Julho



Corolário de um ano intenso, o ciclo dedicado a Heiner Müller mostrou o teatro de Calle como um teatro de vertigem, abraçando o risco, assumindo o perigo. Viagem sem regresso ao fundo de um autor e de uma ideia de sociedade, feita com os corpos negros de actores acabados de o ser, "A Missão" é Mónica Calle em carne viva. T.B.C.

Escolhas de Jorge Louraço Figueira e Tiago Bartolomeu Costa